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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A PARÁBOLA DOS POÇOS



Era o país dos poços. Qualquer visitante que chegasse, enxergaria somente poços grandes, pequenos, feios, lindos, ricos e pobres...
Os poços falavam entre si, mas à distância, por-que havia terra seca entre um poço e outro. Na realidade, quem falava era a boca do poço, ao nível da terra. 
E, como a boca era oca, o poço dava a sensação de vazio, angústia, criando eco...
Havia poços com bocas muito largas, permitindo receber um monte de coisas inúteis. Quando estas passavam de moda, era só mudar para outras, também inúteis e passageiras... E as bocas continuavam vazias, ressequidas e sedentas, bem como a terra ao seu redor.
E NO FUNDO... O POÇO NÃO ESTAVA CONTENTE!
E, por falar em fundo:
Bem, a maioria dos poços, entre as frestas dei-xadas pelas coisas, permitia de vez em quando, sentir entre os dedos algo diferente: eram mo-mentos em que percebiam água no fundo. Diante desta sensação tão rara, alguns até tinham medo e procuravam evitar o contato com o fundo.
Outros, porque tinham coisas demais, abarrota-vam a boca, esqueciam logo a sensação do pro-fundo, e se ocupavam novamente com a superfície...
Mas, nesta superfície, às vezes algum poço falava desta experiência diferente. Até que houve um poço que, olhando bem para seu interior, entusiasmou-se e quis continuar. Como as coisas que abarrotavam sua boca o incomodassem, procurou libertar-se delas, lançando-as corajosamente para longe. E o silêncio chegou! E ele começou a ouvir o borbulhar da água lá no fundo e sentiu uma paz profunda, viva e duradoura, refrescante e salutar...
E este poço descobriu que sua razão de ser era esta: a vida se encontra na profundidade de si mesmo e não na multidão de coisas que se acu-mulam em sua boca.
E SE TORNAVA MAIS POÇO QUANTO MAIS PRO-FUNDIDADE TINHA!
Feliz com a descoberta, procurou tirar água do seu interior, e a água, ao sair, refrescou a terra seca ao seu redor e torrou-se fértil e boa, e as flores começaram a brotar. A notícia se espalhou e as reações foram diversas: uns se mostraram in-crédulos, outros sentiram o impulso por também fazer a experiência do profundo de si mesmo. Mas muitos desprezaram a novidade, muito difícil.
Era mais fácil deixar tudo como estava...
Sem dúvidas, alguns resolveram fazer a experi-ência e começaram a libertar-se dos objetos inúteis que abarrotavam sua boca: igualmente encontraram água em seu interior.
A partir de então, as surpresas aconteceram: por mais água que se retirasse para regar ao redor, o poço não se esvaziava!
E aprofundando ainda mais, descobriram que: ELES ESTAVAM UNIDOS ENTRE SI POR ALGO COMUM: A ÁGUA ERA A MESMA!
E começou uma comunicação profunda porque as paredes dos poços deixaram de ser limites.. Mas, a descoberta mais sensacional veio depois: A ÁGUA QUE LHES DAVA VIDA VINHA DE UM MESMO LUGAR: O MANANCIAL...
O manancial estava bastante longe: na montanha que dominava o País dos Poços.
Lá estava ela: majestosa, serena pacífica! E  com o segredo da vida em seu interior.
A montanha estava sempre lá. Algumas vezes visível entre as nuvens: outras vezes radiante de esplendor...
O manancial não havia sido descoberto antes porque os poços preocupavam-se apenas com sua superfície. A partir da nova descoberta, esforçavam-se por aumentar seu interior, crescendo em profundidade, para que o manancial chegasse mais facilmente...
A ÁGUA QUE TIRAVAM DELES TORNOU A TERRA MAIS BELA!
Enquanto isso, lá fora, os que não faziam a experiência do profundo, continuaram a aumentar sua boca, procurando futilidades...





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"Que a estrada se abra à sua frente,
Que o vento sopre levemente em suas costas,
Que o sol brilhe morno e suave em sua face,
Que a chuva caia de mansinho em seus campos,
E, até que nos encontremos, de novo...
Que Deus lhe guarde nas palmas de suas mãos!"

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