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quarta-feira, 2 de abril de 2014

O Círio Pascal


É o símbolo mais destacado do Tempo Pascal. A palavra "círio" vem do latim "cereus", de cera. O produto das abelhas. O círio mais importante é o que é aceso na vigília Pascual como símbolo de Cristo – Luz, e que fica sobre uma elegante coluna ou candelabro enfeitado.

O Círio Pascal é já desde os primeiros séculos um dos símbolos mais expressivos da vigília. Em meio à escuridão (toda a celebração é feita de noite e começa com as luzes apagadas), de uma fogueira previamente preparada se acende o Círio, que tem uma inscrição em forma de cruz, acompanhada da data do ano e das letras Alfa e Omega, a primeira e a última do alfabeto grego, para indicar que a Páscoa do Senhor Jesus, princípio e fim do tempo e da eternidade, nos alcança com força sempre nova no ano concreto em que vivemos. O Círio Pascal tem em sua cera incrustado cinco cravos de incenso simbolizando as cinco chagas santas e gloriosas do Senhor da Cruz.

Na procissão de entrada da Vigília se canta por três vezes a aclamação ao Cristo: "Luz de Cristo. Demos graças a Deus", enquanto progressivamente vão se acendendo as velas do presentes e as luzes da Igreja. Depois o círio é colocado na coluna ou candelabro que vai ser seu suporte, e se proclama em torno à ele, depois de incensá-lo, o solene Pregão Pascal. 

Além do simbolismo da luz, o Círio Pascal tem também o da oferenda, como cera que se consome em honra a Deus, espalhando sua Luz: "aceita, Pai Santo, o sacrifício vespertino desta chama, que a santa Igreja te oferece na solene oferenda deste círio, trabalho das abelhas. Sabemos já o que anuncia esta coluna de fogo, ardendo em chama viva para glória de Deus... Rogamos-te que este Círio, consagrado a teu nome, para destruir a escuridão desta noite".

O Círio Pascal ficará aceso em todas as celebrações durante as sete semanas do tempo pascal, ao lado do ambão da Palavra, ate´a tarde do domingo de Pentecostes. Uma vez concluído o tempo Pascal, convém que o Círio seja dignamente conservado no batistério. O Círio Pascal também é usado durante os batismos e as exéquias, quer dizer no princípio e o término da vida temporal, para simbolizar que um cristão participa da luz de Cristo ao longo de todo seu caminho terreno, como garantia de sua incorporação definitiva à Luz da vida eterna.

(Fonte)

segunda-feira, 31 de março de 2014

TEATRO SOBRE OS SÍMBOLOS DA PÁSCOA


Personagens: Crianças vestidas ou com símbolos de: Coelho, Ovo, Vela, Girassol, Peixe, Cordeiro

Narrador: Esta história aconteceu às vésperas do dia da Páscoa, tudo porque dois símbolos da Páscoa resolveram se achar grandes e poderosos demais. Vamos ver:
COELHO: Ora, amigo ovo de chocolate, a Páscoa sem mim não vale nada!!! Eu sou a Páscoa!!! Sem mim as crianças não tem Páscoa. Tudo fica sem graça...
OVO: Mas você é mesmo muito vaidoso!!! Vaidoso e burro!!! Responda-me: o que as pessoas compram pra dar na Páscoa? Claro que é ovo de chocolate. Às vezes compram um ou outro coelhinho de pelúcia ou chocolate. Mas eu sou o campeão nas vendas. Ovos coloridos, recheados... Eu sou muito mais Páscoa que você!!!
COELHO: Aí que você se engana seu ovinho mixuruca!!! Quando você aparece nas propagandas de TV eu sempre apareço junto, como se fosse eu que o levasse, o que é muito estranho, pois tem criança achando que coelho bota ovo. Isso é muito desconcertante! Outro dia foi uma luta explicar para o Luisinho que Coelho e ovo andam juntos só por simbolizarem a mesma coisa.
OVO: É nisso você tem razão: nós dois estamos na frente nessa época da Páscoa. Não tem ovo sem coelho e nem coelho sem ovo. Então proponho um acordo, porque tem muita gente ganhando dinheiro`as nossas custas e para nós dois não sobra nada, nadica de nada!! Vamos nos unir e cobrar das televisões, das fábricas de chocolate, todas as vezes que nos usarem! Nós vamos ficar bilionários.
COELHO: É mesmo, senhor ovo, estou até precisando de algum trocado, Ih, mas olha só quem está chegando...são os outros símbolos da Páscoa.
(O GIRASSOL VAI A FRENTE E FALA)
GIRASSOL: Que absurdo, dois símbolos tão conhecidos esquecendo que o mais importante da Páscoa é Jesus. E tem mais: desmoralizando a todos nós!
PEIXE: Precisamos dar um jeito nesses dois e fazê-los entender o que é a Páscoa!
VELA: onde já se viu tanta vaidade!! Tão egoístas, preocupados só em tirar proveito da situação. Isso me deixa muito triste!!!
CORDEIRO: Olhe como é feio, amiguinhos a gente se esquecer da nossa missão. O ovo e o coelho deixaram que o comércio, as fábricas de chocolate, o dinheiro, fizessem deles um vazio.
GIRASSOL: Esqueceram-se que só existem pra mostrar a vida de Jesus que venceu a cruz e a morte. Assim como o pintinho que sai do ovo, é vida que sai de um lugar fechadinho.
VELA: E o coelho, com aquele tanto de filhotinhos que em cada ninhada, mostra como o povo de Deus cresce com a vida nova de Jesus. Que pena que eles se esqueceram de tudo isso. Ah, eu que sou luz queria tanto ajudá-los, parece que eles estão cegos!
PEIXE: É mesmo, parece que não entendem mais nada. Precisamos fazer alguma coisa.
CORDEIRO: Mas como?... Ah, e se promovermos no ovo e no coelho a conversão?
VELA: Isto é, a mudança de atitude, para que celebrem a Páscoa verdadeira!
TODOS: Yes!!!! 
(BATEM AS MÃOS E COMEMORAM NISSO ENTRA O OVO E O COELHO CONTANDO DINHEIRO E CANTANDO):
OVO: Coelhinho da páscoa, que trazes pra mim?
COELHO: Dinheiro no bolso e cheques sem fim!
(GIRASSOL ENTRA NO MEIO DOS DOIS)
GIRASSOL: Olá amiguinhos, como vocês estão?
COELHO: Estava ótimo, mas agora piorou! êh gentalha!!! (FALA PARA OVO) Lá vem o primo pobre!! 
OVO: Nós estamos bem, só que agora estamos muito ocupados, ocupados em ganhar dinheiro. Ninguém vai nos segurar!!!
GIRASSOL: Venham amigos, agora!!! (OS OUTROS SÍMBOLOS ENTRAM E CERCAM OS DOIS)
OVO E COELHO: Mas o que é isso?
PEIXE: Nós queremos conversar um pouquinho para que vocês entendam uma coisa: queremos que nos escutem!
VELA: Vocês esqueceram o verdadeiro sentido da Páscoa?
CORDEIRO: Vocês não lembram que antes de Jesus ressuscitar, nós todos vivíamos como que presos na escuridão? Longe da luz de Deus e não éramos amigos uns dos outros?
GIRASSOL: A Páscoa que eu experimentei, me fez ser alegre, amigo de todos. Não se lembram do sacrifício de Jesus para que fossemos bons e celebrássemos a vida? Como puderam se esquecer?
COELHO (ENTRISTECIDO E ENVERGONHADO): É eu estou me lembrando... um dia eu também experimentei a vida nova da Páscoa de Jesus!
CORDEIRO: É, você experimentou, mas é preciso renovar esse compromisso com Jesus! A Páscoa que celebramos todos os anos vem nos alertar sobre isso.
OVO: É! É muito bonito tudo isso que vocês falaram, mas não é vocês que passam pelo massacre do Comércio, da televisão, que abusam de nós, nos fazendo quase esquecer da vida nova. É muito difícil resistir às tentações do dinheiro, da vaidade, do chocolate...
GIRASSOL: Mas quem disse que viver a Páscoa é fácil? Vocês esqueceram que Jesus, para ressuscitar, primeiro passou pela cruz e pelo sofrimento?. E assim ele provou que é o filho de Deus, o Salvador. Ele é a verdadeira Páscoa, e Ele deve ser o maior sinal de mudança em nossa vida!
PEIXE: É isso mesmo, vocês precisam se desapegar de todas as seduções que não levam para o caminho de Deus.
COELHO: É, mas pra isso precisaremos de muita ajuda. Quem poderá nos ajudar?
OVO: Ei! (OLHANDO P/ AS CRIANÇAS) Vocês podem nos ajudar!!! Vocês que ganharam ovos de Páscoa agora já sabem que essa comilança de chocolate não é a verdadeira Páscoa e vocês precisam nos ajudar a contar tudo isso para as pessoas.
CORDEIRO: É isso mesmo! Só Jesus é a verdadeira Páscoa!!! Nós que estamos aqui, somos apenas os símbolos, os sinais, para que as pessoas entendam o que é a Páscoa.
COELHO: Ai, me sinto renovado, ainda bem que meus amigos me mostraram a vida nova, por isso eu quero desejar a você uma Feliz Páscoa!!
TODOS: FELIZ PÁSCOA!!!!!!!!

(Fonte)



sexta-feira, 28 de março de 2014

Etimologia da Semana Santa


*O pão e o vinho
São os elementos naturais que Jesus toma para que não só simbolizem, mas também se convertam em seu Corpo e seu Sangue e o façam presente no sacramento da Eucaristia.
Jesus os assume no contexto da ceia pascal, onde o pão ázimo da páscoa judaica que celebravam com seus apóstolos fazia referência a essa noite no Egito em que não havia tempo para que a levedura fizesse seu processo na massa (Ex 12,8).
O vinho é o novo sangue do Cordeiro sem defeitos que, posto na porta das casas, evitou aos israelitas que  seus filhos morressem na passagem de Deus (Ex 12,5-7). Cristo, o Cordeiro de Deus (Jo 1,29), ao que tanto se refere o Apocalipse, nos salva definitivamente da morte por seu sangue derramado na cruz.
Os símbolos do pão e o vinho são próprios da Quinta-feira Santa no que, durante a Missa vespertina da Ceia do Senhor, celebramos a instituição da Eucaristia, da qual encontramos alusões e alegorias ao longo de toda a Escritura.

Mas como esta celebração vespertina é o pórtico do Tríduo Pascal, que começa na Sexta-feira Santa, é necessário destacar que a Eucaristia dessa Quinta-feira Santa, celebrada por Jesus sobre a mesa-altar do Cenáculo, era a antecipação de seu Corpo e seu Sangue oferecidos à humanidade no “cálice” da cruz, sobre o “altar” do mundo.

*O lava-pés
É o único que nos relata este gesto simbólico de Jesus na Última Ceia e antecipa o sentido mais profundo do “sem-sentido” da cruz.
Um gesto incomum para um Mestre, próprio dos escravos, converte-se na síntese de sua mensagem e dá aos apóstolos uma chave de leitura para enfrentar o que virá.
Em uma sociedade onde as atitudes defensivas e as expressões de autonomia se multiplicam, Jesus humilha nossa soberba e nos diz que abraçar a cruz, sua cruz, hoje, é ficar ao serviço dos outros. É a grandeza dos que sabem fazerem-se pequenos, a morte que conduz à vida.

Os símbolos da Paixão

1. A cruz
A cruz foi, na época de Jesus, o instrumento de morte mais humilhante. Por isso, a imagem do Cristo crucificado se converte em “escândalo para os judeus e loucura para os pagãos” (1 Cor 1,23). Teve que  passar muito tempo para que os cristãos se identificassem com esse símbolo e o assumissem como instrumento de salvação, entronizado nos templos e presidindo as casas e habitações, e pendendo no pescoço como expressão de fé.
Isto  demonstram as pinturas das catacumbas dos primeiros séculos, onde os cristãos, perseguidos por sua fé, representaram a Cristo como o Bom Pastor pelo qual “não temerei nenhum mal” (Sl 22,4); ou fazem referência à ressurreição em imagens bíblicas como Jonas saindo do peixe depois de três dias; ou ilustram os sacramentos do Batismo e a Eucaristia, antecipação e alimento de vida eterna. A cruz aparece só velada, nos cortes dos pães eucarísticos ou na âncora invertida.
Poderíamos pensar que a cruz era já a que eles estavam suportando, nos anos da insegurança e a perseguição. Entretanto, Jesus nos convida a segui-lo nos negando a nós mesmos e tomando nossa cruz a cada dia (cf. MT 10,38; Mc 8,34; Lc 9,23).
Expressão desse martírio cotidiano são as coisas que mais nos custam e nos doem, mas que podem ser iluminadas e vividas de outra maneira precisamente desde Sua cruz.
Só assim a cruz já não é um instrumento de morte, mas sim de vida e ao “por que eu” expresso como protesto diante de cada experiência dolorosa, substituímo-lo pelo “quem sou eu” de quem se sente muito pequeno e indigno para poder participar da Cruz de Cristo, inclusive nas pequenas “lascas” cotidianas.

2. A coroa de espinhos, o látego, os pregos, a lança, a esponja com vinagre…
Estes “acessórios” da Paixão muitas vezes aparecem graficamente apoiados ou superpostos à cruz.
São a expressão de todos os sofrimentos que, como peças de um quebra-cabeça, conformaram o mosaico da Paixão de Jesus.
Eles materialmente nos recordam outros sinais ou elementos igualmente dolorosos: o abandono dos apóstolos e discípulos, as brincadeiras, os cusparadas, a nudez, os empurrões, o aparente silêncio de Deus.
A Paixão revestiu os três níveis de dor que todo ser humano pode suportar: física, psicológica e espiritual. A todos eles Jesus respondeu perdoando e abandonando-se nas mãos do Pai.

Os símbolos da Luz

1. A luz e o fogo
Desde sempre, a luz existe em estreita relação com a escuridão: na história pessoal ou social, uma época sombria vai seguida de uma época luminosa; na natureza é das escuridões da terra de onde brota à luz a nova planta, assim como à noite lhe sucede o dia.
A luz também se associa ao conhecimento, ao tomar consciência de algo novo, frente à escuridão da ignorância. E porque sem luz não poderíamos viver, a luz, sempre, mas sobre tudo nas Escrituras, simboliza a vida, a salvação, que é Ele mesmo (Sl 27,1; Is 60, 19-20).
A luz de Deus é uma luz no caminho dos homens (Sl 119, 105), assim como sua Palavra (Is 2,3-5). O Messias traz também a luz e Ele mesmo é luz (Is 42.6; Lc 2,32).
As trevas, então, são símbolo do mal, a desgraça, o castigo, a perdição e a morte (Jo 18, 6. 18; Am 5. 18). Mas é Deus quem penetra e dissipa as trevas (Is 60, 1-2) e chama os homens à luz (Is 42,7).
Jesus é a luz do mundo (Jo 8, 12; 9,5) e, por isso, seus discípulos também devem sê-lo para outros (MT 5.14), convertendo-se em reflexos da luz de Cristo (2 Cor 4,6). Uma conduta inspirada no amor é o sinal de que se está na luz (1 Jo 2,8-11).
Durante a primeira parte da Vigília Pascal, chamada “lucenario”, a fonte de luz é o fogo. Este, além de iluminar queima e, ao queimar, purifica. Como o sol por seus raios, o fogo simboliza a ação fecundante, purificadora e iluminadora. Por isso, na liturgia, os simbolismos da luz-chama e iluminar-arder se encontram quase sempre juntos.

2. O círio pascal
Entre todos os simbolismos derivados da luz e do fogo, o círio pascal é a expressão mais forte, porque  reúne  ambos.
O círio pascal representa a Cristo ressuscitado, vencedor das trevas e da morte, sol que não tem ocaso. Acende-se com fogo novo, produzido em completa escuridão, porque na Páscoa todo se renova: dele se acendem todas as demais luzes.
As características da luz são descritas no exultet e formam uma unidade indissolúvel com o anúncio da libertação pascal. O acender o círio é, pois, um memorial da Páscoa. Durante todo o tempo pascal o círio estará aceso para indicar a presença do Ressuscitado entre os seus. Toda outra luz que arda com luz natural terá um simbolismo derivado, ao menos em parte, do círio pascal.

Os símbolos do Batismo

1. A água
Embora o rito do Batismo esteja todo ele repleto de símbolos, a água é o elemento central, o símbolo por excelência.
Em quase todas as religiões e culturas, a água possui um duplo significado: é fonte de vida e meio de purificação.
Nas Escrituras, encontramos as águas da Criação sobre as quais  pairava o Espírito de Deus (Gn 1,2). A água é vida no regaço, na seiva, no liquido amniótico que nos envolve antes de nascer.
No dilúvio universal as águas torrenciais purificam a face da terra e dão lugar à nova criação a partir de Noé.
No deserto, os poços e os mananciais se oferecem aos nômades como fonte de alegria e de assombro. Perto deles têm lugar os encontros sociais e sagrados, preparam-se os matrimônios, etc.
Os rios são fontes de fertilização de origem divina; as chuvas e o orvalho contribuem com sua fecundidade como benevolência de Deus. Sem a água o nômade seria imediatamente condenado à morte e queimado pelo sol palestino. Por isso se pede a água na oração.
Javé se compara com uma chuva de primavera (Os 6,3), ao orvalho que faz crescer as flores (Os 14.6). O justo é semelhante à árvore plantada ao borde das águas que correm (Nm 24,6); a água é sinal de bênção.
Segundo Jeremias (2, 13), o povo do Israel, ao ser infiel, esquece de Javé como fonte viva, querendo escavar suas próprias cisternas. A alma procura deus como o cervo sedento procura a presença da água viva (Sl 42,2-3). A alma aparece assim como uma terra seca e sedenta, orientada para a água.
Jesus emprega também este simbolismo em sua conversação com a samaritana (Jo 4.1-14), a quem lhe revela como “água viva” que pode saciar sua sede de Deus. Ele mesmo se revela como a fonte dessa água: “Se alguém tiver sede, que venha para Mim e beba” (Jo 7,37-38). Como da rocha de Moisés, a água surge do flanco transpassado pela lança, símbolo de sua natureza divina e do Batismo (cf. Jo 19,34).
Por este motivo, a água se converteu no elemento natural do primeiro sacramento da iniciação cristã.  Desde os primeiros séculos do cristianismo, os cristãos adultos eram batizados em uma espécie de pileta (tanque para lavar utensílios, roupas etc.; pia) cheia de água que contava com duas escadas: por uma descia e por outra  saía. A imagem de “descer” às águas representava o momento da purificação dos pecados e estava associada à morte de Cristo.
A saída, subindo pelo lado oposto, representava o renascer à nova vida, como saindo do ventre materno; e era associado à ressurreição. No centro se fazia a profissão de fé pública. E isto significa que a água do batismo não é algo “mágico” -como pensam muitos crentes- que protege ou transforma por si só, mas sim a expressão deste duplo compromisso: o de mudar de vida morrendo ao pecado e o de renovar a escala de valores, iluminados por Cristo, ressuscitados com Ele.

2. A vestimenta branca
A cor branca sempre foi identificada com a pureza, com o inocente. Parece lógico que, desde os primeiros séculos do cristianismo, os catecúmenos fossem ao Batismo vestidos com túnicas brancas. Poderíamos considerá-lo, inclusive, como inspirado na imagem reiterada do Apocalipse, em que os seguidores fiéis do Cordeiro mereceram vestir-se de branco (cf. 3,4-5.18; 4,4; 7,9. 13-14; 19,14; 22,14).
Entretanto, os textos bíblicos dependeriam do que nos diz a tradição cultural dos primeiros séculos, anterior aos mesmos. Em todo o Império Romano, só os membros do Senado se vestiam com túnicas brancas. Dali que os chamassem candidatas, do latim “cândido”, branco. Desta maneira. Manifestava publicamente sua dignidade, a de servir ao Imperador, quem se apresentava como o Filho de Deus.
Os cristãos, então, a irem vestidos de branco a receber o Batismo, tentaram mostrar que a verdadeira dignidade do homem não consiste em trabalhar para nenhum poder político, mas sim em servir Jesus Cristo, o verdadeiro Filho de Deus. Portanto, mais que símbolo de pureza, era símbolo de dignidade, de vida nova, de compromisso com um estilo de vida e com o esforço cotidiano por conservá-la sem mancha, para ser considerados dignos de participar do banquete do Reino (cf. MT 22, 12).
Em uma sociedade consumista como a nossa, em que a dignidade das pessoas depende de como vão vestidas, da moda que seguem, das marcas que usam, os cristãos deveriam nos perguntar o que fizemos de nossa “veste branca” batismal e verificar se, como diz São Paulo, “tendo-nos revestido de Cristo” (Cf. Gl 3.27).

Comemoração da Paixão de Cristo.
Uma festa posta na terça-feira logo depois de sexagésima (sexagésimo dia antes da Páscoa). Seu objeto é a recordação devota e a honra dos sofrimentos de Cristo para a redenção da humanidade. Enquanto a festa em honra dos instrumentos da Paixão de Cristo – a Santa Cruz, a Lança, Pregos, e a Coroa de Espinhos – chamadas “Arma Cristã”, originou-se durante a Idade Média, esta comemoração é de mais recente origem. Aparece pela primeira vez no Breviário de Meissen (1517) como uma festa simples para  15 de Novembro. O mesmo breviário tem uma festa da Santa Face para 15 de Janeiro e do Nome Sagrado para em 15 de Março. [Grotefend, "Zeitrechnung" (Hanover, 1892), II, 118 sqq.]; estas festas desapareceram com a introdução do Luteranismo. Como se encontra no apêndice do Breviário Romano foi iniciado por São Paulo da Cruz (morto em 1775). O Ofício foi composto por Tomás Struzzieri, Bispo de Todi, e fiel associado a São Paulo.
* Na quinta-feira Santa a Eucaristia com que se dá início ao Tríduo Pascal é a “Missa in Coena Domini”, porque é a que mais entranhavelmente recorda a instituição deste sacramento por Jesus em sua última ceiar, adiantado assim sacramentalmente sua entrega na Cruz.
* Ceia do Senhor. – É o nome que, junto ao de “fração do pão”, São Paulo dá  em 1 Cor. 11,20 ao que logo se chamou “Eucaristia” ou “Missa”: “kyriakon deipnon”, ceia senhorial, do Senhor Jesus. É também o nome que  dá o Missal atual: “Missa ou Ceia do Senhor” ((IGMR. 2 e 7)).
* Abstinência. – (do latim abstinência, ação de privar-se ou abster-se de algo) Gesto penitencial. Atualmente se pede que os fiéis com uso de razão e que não tenham algum impedimento se abstenham de comer carne, realizem algum tipo de privação voluntária ou façam uma obra caridosa nas sextas-feiras, que são chamados dias penitenciais.
Só Na quarta-feira de Cinzas e Na sexta-feira Santa são dias de jejum e abstinência.
* Jejum. – (do latim ieiunium, jejum, abstinência) Privação voluntária de comida por motivos religiosos. É uma forma de vigília, um sinal que ajuda a tomar consciência (ex.: o jejum da Quarta-feira de Cinzas recorda o início do tempo penitencial) ou que prepara (ex.: o jejum eucarístico predispõe à recepção que breve se fará do Corpo de Cristo). A Igreja o prescreve pelo espaço de um dia para Na quarta-feira de Cinzas, com caráter penitencial, e para Na sexta-feira Santa, extensivo à Sábado Santo, com caráter pascal; e por uma hora para quem vai comungar.
* Cinzas. – A cinza que impõe o sacerdote aos fiéis Na quarta-feira de Cinzas, procede da queima das Palmas bentas durante a Missa do Domingo de Ramos.
* Palma. – Do latim: -palmae- que significa palma da mão e folha da palmeira, que já usavam  os romanos como símbolo de vitória. Os povos que coincidem em lhe atribuir altos valores a este símbolo já que desenvolveram em torno dela diversos ritos. Recordemos, começando pelo mais próximo, como é tradição entre nós pendurar nos balcões os Ramos bentos No domingo de Ramos para que protegessem a casa durante todo o ano.
* Paixão. – Do latim patior, passus, que significa experimentar, suportar, padecer, forma-se o essencial passio (acus. pl. Passiones). É sintomático que nos tenhamos decantado com preferência pelos aspectos positivos da palavra “paixão”.
* Semana Santa. – À Semana Santa lhe chamava em um princípio “A Grande Semana”. Agora  chamada Semana Santa ou Semana Maior e há seus dias lhes diz dias Santos. Esta semana começa com o domingo de Ramos e termina  no domingo de Páscoa.
* Ecce Homo. - Imagem de Jesus Cristo tal como Pilátos a apresentou ao povo ( do latim “ecce”, eis aqui, e “homo”, o homem).
* Gólgota. – Calvário. Colina de Jerusalém na Palestina, onde Jesus foi crucificado.
* Via Sacra. – (em latim: Via Crucis – O caminho da cruz) Exercício piedoso que consiste em meditar o caminho da cruz por meio de leituras bíblicas e orações. Esta meditação se divide em 14 ou 15 momentos ou estações. São Leopoldo de Porto Mauricio deu origem a esta devoção no século XIV no Coliseu de Roma, pensando nos cristãos que se viam impossibilitados de peregrinar à Terra Santa para visitar os Santos lugares da paixão e morte de Jesus Cristo. Tem um caráter penitencial e está acostumado a rezá-los dias sexta-feira, sobre tudo na Quaresma. Em muitos templos estão expostos quadros ou baixos-relevos com ilustrações que ajudam os fiéis a realizar este exercício.

(Fonte)

sexta-feira, 21 de março de 2014

As mulheres do calvário


Algumas mulheres

seguiram a Jesus

desde a Galiléia

até essa colina ensanguentada

onde o império masculino

desdobrava com frieza

de lança e de martelo

sua malícia treinada.



O olhar ofegante de Jesus

viu-as ao longe tão próximas,

em cachos,

imprensadas umas contra as outras

pelo espanto solidário,

que uma gota de ternura

pousou em seus olhos,

e deslizou como um beijo

por sua garganta arada

e seu coração amigo.



Contemplaram lentamente,

fiéis à realidade de sangue

e ao amor nú.

Só elas poderão nos contar

até a última ferida.

Só elas poderão nos dizer

a última palavra de Jesus,

que apenas aparecia seus olhos,

como um segredo inesgotável

que só ao terceiro dia

pôde pronunciar seu vôo.



Elas,

as mulheres da Galiléia,

as mulheres da margem,

tão próximas à dor,

sabem bem

que as feridas ressuscitam

quando são ungidas

com lágrimas, olhares,

carícias e perfumes.

Por isso saíram

de madrugada,

quando as criaturas

emergiam da noite,

para ungir um cadáver

na manhã de domingo.



Benjamim Gonzalez Buelta

padre jesuíta e poeta 


quinta-feira, 13 de março de 2014

Receita da Vida


Anote os ingredientes:
Família (é aqui que tudo começa) 
Amigos (nunca deixe faltar) 
Raiva (se existir, que seja pouca) 
Paciência (a maior possível) 
Lágrimas (enxugue todas) 
Sorrisos (os mais variados) 
Paz (em grande quantidade) 
Perdão (à vontade) 
Desafetos (se possível, nenhum) 
Esperança (não perca jamais) 
Coração (quanto maior, melhor) 
Amor (pode abusar) 
Carinho (essencial). 

Agora, o modo de preparar: 
Esqueça os momentos de raiva e desespero passados. 
Se precisar use toda sua paciência. 
Enxugue as lágrimas e as substitua por sorrisos.
Junte a paz e o perdão e ofereça a seus desafetos.
Deixe a esperança crescer no seu coração. 
Nem sempre os ingredientes da vida são gostosos, portanto, saiba misturar todos os temperos que ela oferece e faça dela um prato de raro sabor. 
Chame a família, os vizinhos e amigos e bom apetite! 

terça-feira, 11 de março de 2014

Vendo os próprios defeitos...


Havia, certa vez, uma onça que sabia de tudo o que acontecia nos matos. Seu espírito crítico era felino; tudo ela percebia e criticava. Ela enxergava defeitos em tudo e em todos, e comentava com a bicharada.

Um dia, aquela onça começou a sentir a visão meio cansada, enxergando pouco, e procurou um oftalmologista. Este resolveu fazer uma cirurgia nos olhos dela. Terminada a recuperação da cirurgia, a onça se mandou novamente para o mato.

No entanto, algo muito estranho estava acontecendo: agora ela enxergava muito mais defeitos, coisas horríveis. E ela pensava: será que a bicharada piorou ainda mais? Eram tantos os defeitos que ela enxergava que, inquieta, procurou novamente o oftalmologista.

Este examinou seus olhos e disso: “Dona onça, a senhora me desculpe! O erro foi meu. Quando eu fiz a cirurgia nos seus olhos, eu me enganei e coloquei seus olhos voltados para dentro. Por isso que a senhora estranhou, pois está vendo os próprios defeitos”. E recolocou os olhos na posição certa.

A onça retornou à floresta, mas agora era mais prudente ao criticar os demais bichos, pois sabia que seus defeitos eram bem maiores.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Pai Nosso das Mulheres


Pai nosso que estás nos céus e em nosso coração de mulher,

santificado seja o teu nome, todos os dias, desde o primeiro raio de Sol até o apagar da última estrela, em todos os cantos deste imenso e belo mundo que para nós todos criaste,

venha a nós o teu Reino porque amamos a paz e a justiça, porque cremos na partilha dos dons e do pão, e na construção da felicidade,

seja feita a tua vontade assim na terra como no céu, pois Tu queres apenas todo o nosso bem, o nosso crescimento e fidelidade de nosso amor.

O pão nosso de cada dia dá-nos, hoje e amanhã, a nossos filhos, para que cresçam fortes e te sirvam e te louvem pela vida, e também a todos os frutos da terra, pois eles são bons e de rica variedade,

perdoa as nossas ofensas e também os nossos descuidos, as nossas crises, a nossa mania de querer consertar o mundo e transformar as pessoas,

assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, a quem não nos compreende, a quem não nos ajuda nas tarefas e nos trabalhos, a quem não confia em nossa capacidade e intuição de mulher,

e não nos deixes cair em tentação, nem no desânimo, nem por cansaço, muito menos na autocompaixão.

Autor desconhecido

Fonte via e-mail

“Tu, porém não quiseste...”


Um exame de consciência diante das estações da Via-Sacra do SENHOR.

Eu chamei-te pelo teu nome, o nome que hás de ter na eternidade quando pela última vez recebeste os Sacramentos: “Vem, segue-Me!”.
Tu, porém não quiseste e disseste: “ainda tenho mais tempo para isso!”.
Era a tua primeira estação a caminho do abismo.

Eu enviei-te sofrimentos para te recordares de DEUS, rezares e pedires auxílio.
Tu, porém não quiseste e disseste: “DEUS não me ajuda!”.
Era a tua segunda estação a caminho do abismo.

Eu deixei-te cair em pecados, para que a tua consciência te despertasse e tu fizesses o propósito de te converteres e te transformares.
Tu, porém não quiseste e disseste: “é só uma vez na vida que se pode ser jovem...”
Era a tua terceira estação a caminho do abismo.

Eu deixei a tua mãe e os teus pedirem-te para te converteres.
Tu, porém, não quiseste e disseste: “deixai-me em paz!”.
Era a tua quarta estação a caminho do abismo.

Eu enviei amigos bons e fiéis para te ajudarem a levantares-te de novo.
Tu, porém, não quiseste e disseste: “que se metam em sua vida!”.
Era a tua quinta estação a caminho do abismo.

Eu aproximei de ti um coração bom e fiel e pronto para o sacrifício a fim de ser para ti exemplo que devias imitar.
Tu, porém, não quiseste, apenas disseste sempre: “dê-me... dê-me...” e não quiseste dar nada, somente tomaste.
Era a tua sexta estação a caminho do abismo.

Eu deixei-te cair mais uma vez, - e a queda foi mais séria- para voltares a ti.
Tu, porém, não quiseste e disseste: “agora tudo me é indiferente!”.
Era a tua sétima estação a caminho do abismo.

Eu pus no teu caminho crianças para te tornares tranqüilo e bom para com elas.
Tu, porém, não quiseste e disseste: “fora quero ter o meu descanso!”
Era a tua oitava estação a caminho do abismo.

Eu fui atrás de ti por meio do sacerdote, livros, missões.
Tu, porém, não quiseste e disseste: “isto não serve para mim!”
Era a tua nona estação a caminho do abismo.

Mas agora, toquei o teu coração de maneira que pensaste aturdido, na morte. E o Anjo exortou-te: “Não queres estabelecer ordem na tua alma?”.
Mesmo assim não quiseste. Disseste: “isto passa!”
Mas isso não passará.
È a tua décima estação. Vós mães continuai a rezar!

Eu levanto a mão e o Meu Anjo aproxima-se de ti. Um temor repentino apodera-se de ti e gritas : “SENHOR MEU DEUS!”
A esta palavra, a última na tua vida, quero ligar a Minha Misericórdia, assim como os pecados, também os TEUS Me pregaram na Cruz.
É a décima - primeira estação da tua vida, ela não dura mais do que alguns minutos.

Eu coloquei os Anjos para chamarem as mães, a fim de que elas rezem e expiem. Coloquei as lágrimas das mães no prato da balança, juntamente com as tuas boas ações. A Minha Mãe juntou as Ave-Marias da tua infância.

Quero inserir o teu último suspiro na décima segunda - estação  e deixar o Sangue do Meu Coração correr sobre ele.
Sou EU quem unicamente pode conhecer o teu último pensamento.
Durante anos fui atrás de ti. Tu não quiseste. Contudo, agora eis que regressaste a CASA.

(Fonte)